segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Taxas de negociação e liquidação para HFT (incluindo day trade tradicional)

Esta publicação trata de um assunto não muito claro para os day traders, algo traders ou para os high-frequency traders no Brasil: a matriz de custos aplicada pela BM&F BOVESPA. O site da nossa bolsa possui algumas inconsistências (tabelas de valores desatualizadas), o que acaba confundindo o investidor. Além disso, algumas corretoras repassam informações equivocadas em função das várias mudanças que ocorreram na forma de taxar os clientes que realizam day trades no país. Mudanças estas, realizadas ao longo dos últimos anos 3 anos. Ao longo deste texto eu tento detalhar o que aconteceu historicamente com esta categoria de operação em função da cobrança das taxas de negociação e liquidação nas operações realizadas na BM&F BOVESPA. Ao final, apresento minha opinião sobre a política de tarifação para HFT aplicada no mercado brasileiro.

R2D2 tentando computar seus custos de operação na BM&F BOVESPA [alusão metafórica]
Até Dezembro de 2013, clientes certificados como High-Frequency Traders possuíam benefícios que os day traders comuns não tinham. Estes eram relativos a descontos nas taxas de negociação e liquidação cobradas pela BM&F BOVESPA e pela Câmara de Ações (antiga CBLC). Após a publicação de dois ofícios circulares (018/2013-DP e 061/2013-DP), os clientes HFT e os day traders tradicionais passaram a se enquadrar na mesma tabela de custos para as taxas de liquidação e negociação. A atual cobrança privilegia investidores que giram um alto volume financeiro no mercado a vista de renda variável. Segundo o ofício 061/2013-DP, o objetivo da BM&F BOVESPA é encorajar o aumento da quantidade de negócios e compartilhar ganhos em escala. Com isso, mas de forma indireta, a liquidez do mercado eletrônico naturalmente é elevada.

Antes destas normativas, os clientes HFT precisavam ser credenciados pelo Centro de Controle BM&F BOVESPA (CCB), segundo critério estabelecido no ofício circular 028/2010-DP. O pedido de enquadramento como HFT era realizado pela corretora do cliente. A CCB analisava as condições técnicas do cliente, a lógica operacional e outros indicadores como, por exemplo, ratio (quantidade de ofertas/quantidade de negócios realizados), volume de mensagens, e pico de mensagens por segundo. Dentro destes parâmetros o cliente ganhava (ou não), o selo de HFT. Com este selo, adquiria descontos relacionados com as taxas de liquidação e negociação. A partir deste ponto, o investidor escolhia entre dois critérios de apuração: diário ou periódico.

No critério periódico, o volume de negócios médio diário (ADTV - Average Daily Trading Volume) do investidor era medido durante dois meses. Ao final, a média desta medida era enquadrada em uma tabela específica que era dividida em faixas de volume, indicando as taxas de negociação e liquidação a serem pagas nos dois meses subsequentes. Quanto maior o volume médio girado, maior o desconto. A medição acontecia a cada par de meses, e sempre aplicando as taxas nos meses seguintes. 

Já no critério diário, o cliente pagava as taxas de acordo com o volume de negócios do dia. Ou seja, poderia pagar diferentes taxas em diferentes dias. Esta avaliação era mais adequada para clientes que estavam entrando no negócio de alta frequência. Assim, não precisavam esperar dois meses para ganhar os descontos iniciais. A desvantagem é que um alto volume girado em um pregão, não compensava o baixo giro de outros dias, pois não havia o cômputo de média ao final de um período.

Atualmente, os custos de liquidação e corretagem para qualquer day trader (o que inclui os clientes que operam em HFT), são apresentados na Tabela 1 para Pessoa Física (PF), e na Tabela 2 para Pessoa Jurídica (PJ).

Tabela 1 - Taxa de negociação cobrada para HFT (para PF)
Faixa de ADTV
(em milhões de reais)
Negociação
(percentual cobrado)
Liquidação
(percentual cobrado)
Total
(percentual cobrado)
Até 4 (inclusive)
0,0050%
0,0200%
0,0250% (2,5 bps)
De 4 até 12,5 (inclusive)
0,0030%
0,0200%
0,0230% (2,3 bps)
De 12,5 até 25 (inclusive)
0,0005%
0,0195%
0,0200% (2,0 bps)
De 25 até 50 (inclusive)
0,0005%
0,0175%
0,0180% (1,8 bps)
Mais de 50
0,0005%
0,0155%
0,0160% (1,6 bps)

Tabela 2 - Taxa de negociação cobrada em HFT (para PJ)
Faixa de ADTV
(em milhões de reais)
Negociação
(percentual cobrado)
Liquidação
(percentual cobrado)
Total
(percentual cobrado)
Até 20 (inclusive)
0,0050%
0,0200%
0,0250% (2,5 bps)
De 20 até 50 (inclusive)
0,0030%
0,0200%
0,0230% (2,3 bps)
De 50 até 250 (inclusive)
0,0005%
0,0195%
0,0200% (2,0 bps)
De 250 até 500 (inclusive)
0,0005%
0,0175%
0,0180% (1,8 bps)
Mais de 500
0,0005%
0,0155%
0,0160% (1,6 bps)

Em opinião pessoal, considero que a liquidação deve cair muito para estimular realmente o aumento da liquidez do nosso mercado. Na última alteração da tabela, a queda na taxa de negociação provocou um aumento na taxa de liquidação, rebalanceando, e mantendo qualquer day trader com custo mínimo em 0,025% sobre o capital girado (ora bolas!). Toma lá, da cá! Precisamos de mais ousadia na política de incentivo ao aumento de liquidez na BM&F BPOVESPA. E isso só será alcançado com a redução significativa da liquidação aplicada aos day traders que operam grandes volumes (o que inclui necessariamente todos os high-frequency traders). Qual o real motivo da taxa de liquidação aumentar com a queda da taxa de negociação? 

imagem do filme "I, Robot" (20th Century Fox, 2004)
Há também uma grande diferença entre o limite mínimo de giro de capital exigido entre pessoas físicas e jurídicas. Isso quase que obrigada qualquer empresa que se arrisque no setor a inciar seus negócios na conta pessoal (como PF) de algum de seus sócios. Só assim podem atingir o break-even, antes de iniciar suas atividades como PJ. A questão é: Por quê tratá-los de forma diferente? Eis minha segunda dúvida.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Os Formadores de Mercado na BM&F BOVESPA

Uma prática relativamente antiga no mercado de ações e que muitos participantes desconhecem é a chamada formação de mercado.

Mesmo nos dias de hoje, ações com baixa liquidez podem não ser atraentes para o investidor, pois no momento em que ele desejar fechar sua posição (geralmente vendendo as ações já adquiridas) pode não encontrar compradores com preços próximos aos preços atuais de venda. Se ele for um day-trader, esta diferença pode ser relativamente significante. A explicação é simples: há uma alta probabilidade de não obter lucros quando a subtração do melhor preço para venda pelo de compra naquele momento [spread] seja grande demais. Nesta situação, é menos provável que o mercado tenha se movimentado o suficiente desde a compra das ações para que o investidor obtenha lucro no seu par de trades.

Neste contexto, e visando aumentar a atratividade dos ativos no mercado de ações, as empresas negociadas contratam outras companhias para a realização da formação de mercado de seus papéis. Estas empresas formadoras de mercado se comprometem a inserir, todos os dias, uma quantidade pré-estabelecida de ações para compra e venda [inclusive simultaneamente]. Isso aumenta a liquidez dos ativos, pois eles se tornam mais fáceis de serem negociados. Além da obrigação da inserção de uma quantidade mínima de ofertas, os contratos não permitem que o spread atinja valores altos. Vale ressaltar que esta combinação reduz a chance do preço do ativo disparar rapidamente [tanto para uma alta ou para uma baixa].

BM&F BOVESPA descreve um formador de mercado [ou market maker] e suas atribuições da seguinte maneira:
"agente de liquidez, facilitador de liquidez, promotor de negócios, especialista, market maker e liquidity provider são algumas designações atribuídas àqueles que se propõem a garantir liquidez mínima e referência de preço para ativos previamente credenciados" [1].
A formação de mercado não é um conceito recente no Brasil. Marcou início ainda na década de 70, com os contratos de sustentação. As empresas negociadas no mercado nacional tinham a opção de contratar [na época] corretoras para sustentar o preço de seus ativos [apenas corretoras faziam este tipo de serviço]. Atualmente os contratos são garantidos por empresas especializadas o fazem utilizando rápidos algoritmos [programas de computador] que atuam com a precisão de microssegundos para a inserção de novas ofertas no mercado de ações.

Basicamente existem dois tipos de formadores de mercado:
  • contratado: mais comum no mercado de ações, e segue as regras descritas anteriormente;
  • independente: empresas deste tipo não possuem relação contratual com a empresa em negociação. Ela tenta obter lucro no processo de formação de mercado [vendendo alguns poucos centavos acima de suas compras e, inclusive, podendo realizar ambas as ações simultaneamente]. Assim como seu similar "contratado", também provê liquidez ao mercado, mas sem a obrigação de manter spread "baixo". Gerencia seu risco através da constante manutenção de uma pequena quantidade de ações em seu portfólio.
As empresas contratadas como formadoras de mercado correm menos risco, pois são gratificadas pelas contratantes. Já os independentes correm um risco elevado, mas em contrapartida não são obrigadas a participar do mercado quando este se comporta de forma não tradicional [em grandes quedas ou altas].

A modalidade independente é uma das opções para as empresas que atuam realizando investimentos em alta frequência [high-frequency trading]. A velocidade para a realização das ofertas, neste caso, é de fundamental importância para atingirem melhores prioridades nos livros de ofertas [order book] se comparados aos seus concorrentes. Quando pensamos em milhares de negócios por dia, isso se torna relativamente importante.

O vídeo a seguir é um demonstrativo de um dos resultados da minha pesquisa de pós-doutorado realizada no Centre for the Analysis of Risk and Optimisation Modelling Applications da Brunel University London [financiada pelo programa Ciência sem Fronteiras]. Neste vídeo é apresentada uma simples estratégia independente para a formação de mercado que visa a obtenção de lucro [sem um contrato associado a sua atuação]. O vídeo é referente ao dia 15 de outubro de 2013 e com a execução de ofertas em uma das ações do Banco Bradesco S/A [BBDC4].



A Oragon Tech. [especializada no setor] considera que as empresas que visam a construção de plataformas independentes para a formação de mercado podem também auxiliar as empresas contratadas para a realização de market maker. Neste contexto, além de receber em seus contratos, estas empresas podem "reduzir os riscos na realização da formação de mercado, sendo possível também a obtenção de lucro em seus portfólios, mantendo ainda seus compromissos contratuais e atuando com a mais elevada probidade dentro dos princípios éticos do mercado". A atividade envolve basicamente conhecimentos na microestrutura do mercado de ações, além de matemática aplicada, estatística, computação e inteligência artificial.

Mercados atualmente considerados maduros contam com a atuação de centenas [ou milhares] de formadores de mercado [sejam eles independentes ou contratados]. Isso faz com que suas respectivas volatilidades sejam consideravelmente mais baixas quando as comparamos com as volatilidades do mercados emergentes [onde atualmente a BM&F BOVESPA está inserida]. O Brasil caminha para uma estrutura menos volátil, e neste contexto os algoritmos formadores de mercado possuem particular importância.

Para acelerar a maturidade da BM&F BOVESPA, e termos empresas nacionais atuando de forma expressiva no setor, considero [em opinião pessoal], que nosso país precisa melhorar a formação de pessoas em nível de pós-graduação na área. Isso pode ser alcançado com a parceria entre os atuais centros de excelência em pesquisa [que já existem] e as empresas atuantes na criação de robôs para operação no mercado de ações [que também já marcam presença no país da bola]. Considero que muitas pesquisas foram realizadas em um passado recente, mas sem o grau de realidade necessário para que os resultados pudessem ser aplicados [simplesmente por falta de contato mínimo com empresas do setor, que poderiam dar uma injeção de realidade nos projetos financiados país afora]. E isso eu considero relativamente preocupante.

domingo, 15 de dezembro de 2013

O mercado de ações e a recente invasão das máquinas

Poucas pessoas sabem, mas atualmente mais de 70% de todos os negócios realizados nas principais bolsas de valores do mundo são realizados por programas de computadores (na NASDAQ e na NYSE), e sem qualquer tipo de interferência humana em seu processo de tomada de decisão (comprar ou vender, eis a questão). Isso quer dizer que se você compra ou vende uma ação por lá hoje, há uma grande possibilidade de estar negociando exclusivamente com uma máquina (zeros e uns agindo por si só).

Desde os primórdios, informação significa poder. E se você a captura mais rapidamente se comparado a maior parte dos participantes do mercado, possui maior potencial para aproveitar boas oportunidades. Embora muitas pessoas imaginem que a execução deste conceito seja recente nos mercados, foi pela primeira vez documentada no século XVII. A família Rothschild utilizava pombos-correio para levar a informação de distorções nos valores de alguns títulos para outros países. Isso permita a tentativa de obtenção de lucros em operações por meio de técnicas derivadas de um conceito hoje conhecido como Arbitragem Estatística. 

Com a modernização dos mercados nas últimas décadas, um passo natural e previsível foi a criação de algoritmos (códigos de programas de computador) para a compra e venda de títulos. Ao invés de demorar algumas horas para levar a informação de um país para o outro, agora é possível transmiti-la em mili, micro ou nano segundos.

Com isso, vieram as críticas de muitos investidores e as dúvidas inerentes da automatização de estratégias. Em um primeiro momento, com uma análise superficial, pode-se pensar que a inclusão dos "robôs" nos mercados eletrônicos trouxe exclusivamente desvantagens ao investidor comum. E isso não é verdade. Uma estratégia simples de ser implementada, e largamente utilizada no contexto da automação de estratégias, é chamada "Formação de Mercado". Ela consiste em posicionar ordens de compra e venda simultaneamente em ambos os livros de oferta. Isso aumenta a quantidade de participantes próximos ao preço mais justo do mercado em qualquer hora do pregão. Como os formadores de mercado evitam ao máximo o envio de ordens conhecidas como "ordens a mercado", elas necessariamente entram na listagem de compradores e vendedores disponíveis naquele momento. Isso amplia consideravelmente a capacidade que o mercado tem de absorver novas ordens a preços mais justos, além de possibilitar uma minimização do slippage caso investidores comuns desejem adquirir ou vender ações de forma imediata em grandes e médios volumes.

Desta forma, os robôs aumentaram consideravelmente a liquidez dos mercados onde estão presentes, além de reduziram consideravelmente a diferença entre o melhor preço de venda para o melhor preço de compra a cada instante (conceito largamente conhecido com bid-ask spread). Isso deixa o mercado muito mais atraente para qualquer investidor. Imagine comprar uma casa hoje e na sequência descobrir que se você quiser vendê-la, o fará por um preço muito inferior que o preço pago. Seria a mesma sensação ao comprar uma ação caso não existisse os robôs que realizam a formação de mercado. Hoje em dia, na BM&F BOVESPA, é possível realizar esta operação na sequência por uma diferença de apenas R$ 0,01 (um centavo) por ação para a grande maioria das ações listadas no IBOV (índice BOVESPA). Não há como ser mais justo que isso. Tal vantagem só foi possível com os novos contratos para realização de formação de mercado. Um estudo recente da Fundação Getúlio Vargas apresenta dados sobre a redução do spread, além de outras vantagem, após a introdução de mais formadores de mercado nos últimos anos na BM&F BOVESPA [Perlin, M.(2013). Os efeitos da introdução de agentes de liquidez no mercado acionário brasileiro. Revista Brasileira de Finanças, 11(2), 281-304].

Há um grande mito sobre a manipulação de mercados eletrônicos quando o assunto são os robôs. Na verdade, eles simplesmente capturam algumas oportunidades que sempre foram disponíveis, mas em um passado recente eram aproveitadas apenas por investidores super especializados no mercado de ações. Agora, simplesmente os robôs fazem estre trabalho de forma mais rápida. Diferente do que se pensa, para o investidor comum, existem inúmeras vantagens inerentes a popularização dos negociadores de alta frequência. 

A BM&F BOVESPA, as corretoras do país, e o governo (com sua implacável taxa tributária), ainda representam uma barreira para a entrada de mais robôs no mercado nacional. De duas uma: ou os robôs estrangeiros (de bancos e fundos de pensão) dominarão o mercado nacional por já serem mais maduros, pois já atuam há alguns anos em mercados mais consolidados, ou este trio (ou pelo menos parte dele) decidirá por ampliar a quantidade de robôs que atuam aqui (no Brasil o volume total ainda não passou de 20% do total de negócios realizados) e ai veremos a entrada de tecnologia nacional tentando sobreviver nesta batalha cibernética. Mas estas são cenas dos próximos capítulos.

Prof. Humberto César Brandão Brandão de Oliveira
Ph.D.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

como serão as bibliotecas/livrarias do futuro???

Há quem diga que não existe nada melhor que o folhear um bom livro... Digo... um livro de "verdade"...
Item de museu no ano de 2050
Vivenciamos uma brusca mudança nas mais variadas formas de interação com o ambiente... Nas últimas duas décadas foi possível perceber a crescente publicação de conteúdos digitais através da Internet...
Livro no formato digital para o iPad
Muito se escuta sobre o livro de papel existir para todo o sempre. Bom... nunca utilizei uma caneta tinteiro.... Será que esta era a previsão das pessoas no início do século passado? Acredito que com o livro o processo será gradual, mas inevitável. Não teremos exemplares impressos no futuro (apenas na posse de colecionadores e em museus).

Voltando ao tema central do post, insiro as seguintes perguntas:
  1. Como será o modelo de empréstimo de livros digitais em uma universidade?
  2. Ou melhor, existirá empréstimo? Ele faz sentido neste novo modelo de biblioteca?
  3. As bibliotecas (físicas), como conhecemos, terão sentido de existir?
  4. Se você tem um livro virtual, poderá emprestá-lo para um amigo?
São simples perguntas que podemos levantar sobre o tema. O mais estranho está relacionado com a tentativa das editoras e lojas virtuais em construir um modelo semelhante ao universo dos livros em papel. Um exemplo é o empréstimo básico (a pessoa X empresta seu exemplar para a pessoa Y). A gigante Amazon anunciou no primeiro semestre de 2011 algumas possibilidades, ainda restritas do empréstimo de livros. Em 2010 a Saraiva anunciou que implementaria tal possibilidade (como no mundo real - se eu leio, você não lê... simples assim...).

O modelo deve ser totalmente repensado. Tentar criar no modelo virtual um mundo semelhante ao real (considerando suas óbvias restrições impostas pela matéria), é uma alternativa nada inovadora perto do universo de possibilidades... Quem INOVAR vai vencer esta batalha dentro deste mercado super promissor...
Por que não o empréstimo por um tempo limitado? Eu leio, você lê (ao mesmo tempo), mas sua licença expira em n dias.. A questão é: Por que não? Quais são os impactos negativos de tal possibilidade?
Outra deficiência, por ora driblada com pouca categoria pelas livrarias nacionais, é a questão do pagamento. Os novos usuários, sedentos pelo imediatismo gerado por todo o contexto de sua geração, não querem esperar para "colocar as mãos" no novo exemplar virtual. Muitos têm tido uma amarga experiência ao testar as lojas virtuais nacionais. Após baixar o aplicativo para o tablet, os mesmos percebem que, após inserir os dados do cartão de crédito, apenas podem ter acesso no exemplar virtual depois da confirmação de pagamento por parte da operadora do cartão de crédito. Mais uma vez o modelo está errado. A livraria teve a possibilidade de inovar... mas não o fez.

Por que o modelo do APP Store da Apple funciona tão bem? Porque quando se compra um aplicativo, o mesmo é disponibilizado na hora. Muitos desistem da compra de seus livros virtuais no mesmo instante que percebem que terão que esperar. Conclusão óbvia: As livrarias virtuais ainda têm muito que evoluir para terem uma adesão em massa da população virtual...

Agora, vamos olhar para o outro contexto: As bibliotecas universitárias.

Infelizmente ainda não existem avanços concretos para os modelos universitários... As bibliotecas das universidades estarão sujeitas aos modelos futuramente estabelecidos pelas editoras (que serão obrigadas a criar soluções)...

Outro fator a ser resolvido (e será, pela simples lei de mercado de oferta/procura), é o preço dos livros virtuais. Nas lojas brasileiras (Saraiva e Cultura) o preço dos ebooks é absurdo. Possivelmente pelos direitos autorais (pois os custos de transmissão na web são insignificantes, e o armazenamento é por conta do cliente). Por ora é possível perceber grande parte dos internautas driblando o modelo equivocado inserindo seus livros piratas em PDF nos aplicativos de seus smartphones e tablets. O que também não é solução...

"O POVO QUE NÃO CONHECE A SUA HISTÓRIA ESTÁ CONDENADO A REPETI-LA"

O mercado da música sofreu enormes prejuízos com a pirataria. O mesmo só conseguiu se reestruturar de forma interessante quando as músicas começaram a ser vendidas por 1 dolar (ou menos) no iTunes. Steve Jobs salvou o mercado da música com uma estratégia simples: simplicidade na compra e baixo preço. Lá você compra e leva na hora...

SERÁ TÃO COMPLICADO ASSIM REPLICAR O MODELO PARA OS LIVROS VIRTUAIS?

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

destino dos novos mestres e doutores...

Começo esta postagem com um dado interessante/preocupante/promissor:
Temos atualmente 53.000 doutores no Brasil. Em 2001 eram 26.000.

Com o aumento das pós-graduações no país, na última década melhoramos a eficácia da fábrica de doutores:

Segundo o mesmo artigo, o objetivo era o Brasil ser capaz de formar 16.000 doutores por ano em 2011.

Bom... vamos supor que este número se estabilize em 16.000 doutores/ano... o que não vai acontecer... será maior...:

Considerando tal estabilização, teremos daqui 10 anos , 213.000 doutores no Brasil (4 vezes mais o montante existente em 2011).

Coloco então a pergunta base desta postagem:

Para onde irão nossos doutores?

Muitos (atuais mestrandos e doutorados, futuros doutores) querem empregos estáveis dentro de universidades públicas, para seguir fazendo o que aprendem/aprenderam durante a execução de seus cursos de pós-graduação: querem fazer pesquisa... muitas vezes pesquisa básica...

Mas o Brasil ampliará suas universidades em uma proporção desta magnitude? Será mesmo este o destino ideal de tais cérebros nacionais?


Criamos e mantemos uma fábrica de doutores, que tende a ampliar sua produção devido as pressões existentes dentro das próprias universidades e órgãos de fomento... Para produzir artigos (numericamente falando, infelizmente), as universidades precisam de mão de obra... e qualificada... as pequenas universidades atualmente também estão abrindo seus mestrados e doutorados... os atuais recém doutores não tem como competir nos editais do governo sem produção relevante de artigos
(numericamente falando)... nada mais natural que elas se adaptarem ao ambiente com a criação de novos cursos de mestrado e doutorado (como está acontecendo em Alfenas)... Assim irão produzir mais artigos, e quem sabe poderão competir daqui alguns anos nos editais de fomento...

Pois bem, ... nossa fábrica de cérebros aumenta..., sem previsão de vazão adequada.... matematicamente é simples entender... a maioria destes doutores não vão para universidades.... o destino deles é bem claro na minha opinião:
MERCADO

Assim como nos países de primeiro mundo, nossa massa cinzenta qualificada estará no mercado... Atualmente, a maior parte dos doutores norte-americanos estão no mercado de trabalho... como na maioria dos países do primeiro mundo... Eles não estão na academia!

Os impactos desta realidade futura serão gigantescos... E benéficos...

Atualmente o Brasil produz artigos, mas quase não produz inovação. Com esta mudança de destino da produção, a competição existente no mercado obrigará os doutores a gerar novas tecnológicas competitivas (e eles têm/terão tal capacidade)...

Eu acho que, com o tempo, seguindo a lei de oferta/procura, as pós-graduações que formam doutores de áreas básicas do conhecimento não conseguirão inserir todos os seus doutores no mercado (alguns sim, mas não todo o volume que será formado). Alguns entrarão na academia, mas em taxas normais, obviamente... E isso deve gerar uma diminuição na procura por mestrados e doutorados que são voltados exclusivamente para pesquisa básica...

O Brasil deve se tornar um país de pesquisa aplicada, gerando inovação tecnológica em taxas bem mais relevantes que as atuais... Considero ser simplesmente uma questão de tempo...

não há desenvolvimento sem inovação tecnológica...

Estamos no rumo certo? Esta é uma pergunta que poucas vezes escuto dentro do ambiente universitário...

Atualmente presenciamos a mudança de uma era na universidade brasileira...
O MEC investe atualmente 5% do PIB em educação (em um aumento significativo se analisarmos toda a última década). A meta para 2020 é investir 7% do PIB.

Este crescimento impacta diretamente na produção de conhecimento científico:
"o país ocupa a 13ª posição em produção de artigos científicos, atrás de Estados Unidos, China, Alemanha, Japão, Inglaterra, França, Canadá, Itália, Espanha, Índia, Austrália e Coréia do Sul (respectivamente do 1º ao 12º)" [fonte: g1.com.br]
Em um contexto regional, podemos ver que a produção de conhecimento humano cresceu de forma acelerada nos últimos 10 anos... e além disso... ainda não parou de crescer...
Artigos científicos publicados em periódicos pela comunidade da UNIFAL-MG
Além da publicação científica, temos um acréscimo significativo na captação de recursos destinados para a pesquisa dentro da universidade. Podemos esperar para 2011 a captação de R$ 4.000.000,00 somente para os laboratórios de pesquisa da UNIFAL-MG.

Captação de recursos relacionados à pesquisa na UNIFAL-MG
Infelizmente, a captação de recursos e a publicação de artigos científicos em periódicos não influenciam diretamente a geração de riquezas para a nossa região. Podemos medir este dado indiretamente através das patentes, marcas e registros de software aqui gerados. No caso da UNIFAL-MG, assim como a grande maioria das universidades e empresas do nosso país, estes indicadores não acompanham o crescimento acelerado dos gráficos anteriores:

Patentes, Marcas e Software depositados pela UNIFAL-MG
Tais informações demonstram claramente a dificuldade da universidade nacional em se aproximar do mercado. De um lado temos o mercado, com toda a demanda da inovação tecnológica, necessitando gerar riquezas. Do outro, temos a universidade, completamente capaz de gerar soluções de ponta nas mais diversas áreas do conhecimento... Mas, o que vemos é um isolamento quase total destes dois mundos...

O Prof. Rochel, do Departamento de Química da UFMG, ilustra de forma interessante este relacionamento entre universidade e mercado, e o nomeia de O VALE DA MORTE:

O Vale da Morte
Universidade perde, mercado perde!

Sem ter acesso aos problemas reais, a universidade não consegue depositar patentes (e não apenas por isso). É muito comum pesquisadores trabalharem com bases de dados criadas em laboratórios... e sem a exigência do mercado para a geração de um produto final..

Tentando mudar esta realidade, a comunidade de Alfenas iniciou nos últimos meses uma discussão entre universidades e empresas para a criação do Polo Tecnológico da cidade.
Notícias relacionadas:
Vejo que a criação do Polo Tecnológico pode ajudar no desenvolvimento local. Espero que o problema levantado no primeiro post deste blog seja definitivamente resolvido com a instalação do Polo.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

aprendizado baseado em problemas...

Começo este post com uma pergunta:

O mecanismo tradicional de ensino (com um mestre falando em frente a turma) perpetuará na universidade?

Deixando a pergunta de lado, por ora, compartilho a experiência que tive em 2010 na unifal-mgAo longo do último semestre letivo, após forte influência do Prof. Rodrigo Pagliares (@pagliares), gravei o conteúdo teórico das aulas da disciplina de algoritmos em grafos: vídeo-aulas disponíveis neste site.

Apesar de não terem, até então, experimentado vídeo-aulas na graduação, houve uma boa aceitação por parte dos alunos no modelo testado. 
Após o término do semestre, a disciplina foi avaliada através de um questionário eletrônico. Com a participação de 21 alunos (84% da turma), sobre os resultados destaco:
  • 86% acham interessante a idéia de utilizarmos as aulas gravadas em futuras edições da cadeira:

  • a maioria prefere vídeo-aulas a aula presenciais teóricas:


Relacionado com o meu post anterior, isso é mais um indício da mudança no perfil dos novos alunos na universidade. Não querem ou pretendem aprender como antes. A maioria quer autonomia para gerenciar seu próprio tempo. Preferem assistir as aulas quando quiserem, quantas vezes quiserem, ao invés de terem um horário marcado sem a possibilidade de efetuarem replays.

Sobre outro questionamento, a maior parte dos alunos da disciplina se diz satisfeita, ou muito satisfeita, com o conhecimento adquirido através das vídeo-aulas.


Infelizmente, neste modelo de 2010, pude experimentar apenas a troca das aulas presenciais pelas aulas à distância. Pretendo na próxima vez que a disciplina for ofertada, testar a metodologia PBL: Problem-based learning (em bom português: aprendizado baseado em problemas).

Pretendo aplicar as vídeo-aulas com toda a carga teórica em 30 dias. Claro que não amadurecerão em 30 dias da mesma forma que outras turmas amadureceram em um semestre. Mas depois sobrarão três meses de aula. Estas serão presenciais e utilizadas exclusivamente para resolução de problemas reais que mascaram modelagens e necessitam de algoritmos em grafos. Poderemos discutir sobre adaptações dos algoritmos clássicos, complexidade de algoritmos, representações computacionais mais adequadas, etc etc etc... As possibilidades são infinitas...

Como ressaltada a wikipedia sobre as vantagens da PBL, pretendo:
  • Provocar a motivação;
  • Promover o conhecimento de novas áreas do saber;
  • Estimular a criatividade;
  • Impulsionar o pensamento crítico;
  • Fomentar as capacidades de análise e decisão;
  • Desenvolver as capacidades e competências de trabalhar em grupo e de gestão de stress.
Voltando para a pergunta inicial deste post... mas terminando com outra pergunta:

Será que os alunos alcançarão um conhecimento mais adequado para ser utilizado no mercado de trabalho através da metodologia PBL, tendo como base teórica as vídeo-aulas?