segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

aprendizado baseado em problemas...

Começo este post com uma pergunta:

O mecanismo tradicional de ensino (com um mestre falando em frente a turma) perpetuará na universidade?

Deixando a pergunta de lado, por ora, compartilho a experiência que tive em 2010 na unifal-mgAo longo do último semestre letivo, após forte influência do Prof. Rodrigo Pagliares (@pagliares), gravei o conteúdo teórico das aulas da disciplina de algoritmos em grafos: vídeo-aulas disponíveis neste site.

Apesar de não terem, até então, experimentado vídeo-aulas na graduação, houve uma boa aceitação por parte dos alunos no modelo testado. 
Após o término do semestre, a disciplina foi avaliada através de um questionário eletrônico. Com a participação de 21 alunos (84% da turma), sobre os resultados destaco:
  • 86% acham interessante a idéia de utilizarmos as aulas gravadas em futuras edições da cadeira:

  • a maioria prefere vídeo-aulas a aula presenciais teóricas:


Relacionado com o meu post anterior, isso é mais um indício da mudança no perfil dos novos alunos na universidade. Não querem ou pretendem aprender como antes. A maioria quer autonomia para gerenciar seu próprio tempo. Preferem assistir as aulas quando quiserem, quantas vezes quiserem, ao invés de terem um horário marcado sem a possibilidade de efetuarem replays.

Sobre outro questionamento, a maior parte dos alunos da disciplina se diz satisfeita, ou muito satisfeita, com o conhecimento adquirido através das vídeo-aulas.


Infelizmente, neste modelo de 2010, pude experimentar apenas a troca das aulas presenciais pelas aulas à distância. Pretendo na próxima vez que a disciplina for ofertada, testar a metodologia PBL: Problem-based learning (em bom português: aprendizado baseado em problemas).

Pretendo aplicar as vídeo-aulas com toda a carga teórica em 30 dias. Claro que não amadurecerão em 30 dias da mesma forma que outras turmas amadureceram em um semestre. Mas depois sobrarão três meses de aula. Estas serão presenciais e utilizadas exclusivamente para resolução de problemas reais que mascaram modelagens e necessitam de algoritmos em grafos. Poderemos discutir sobre adaptações dos algoritmos clássicos, complexidade de algoritmos, representações computacionais mais adequadas, etc etc etc... As possibilidades são infinitas...

Como ressaltada a wikipedia sobre as vantagens da PBL, pretendo:
  • Provocar a motivação;
  • Promover o conhecimento de novas áreas do saber;
  • Estimular a criatividade;
  • Impulsionar o pensamento crítico;
  • Fomentar as capacidades de análise e decisão;
  • Desenvolver as capacidades e competências de trabalhar em grupo e de gestão de stress.
Voltando para a pergunta inicial deste post... mas terminando com outra pergunta:

Será que os alunos alcançarão um conhecimento mais adequado para ser utilizado no mercado de trabalho através da metodologia PBL, tendo como base teórica as vídeo-aulas?

domingo, 9 de janeiro de 2011

velha universidade, novos problemas...

Monteiro Lobato disse sabiamente: "Um país se faz com homens e livros".

Lobato não previu que passaríamos por mudanças. Passamos por uma época de novas tecnologias e em avalanches de informações diárias. Neste contexto presenciamos uma clara alteração no perfil dos nossos alunos. Eles atualmente buscam informações de formas diferentes se compararmos com alunos de 10 anos atrás. vejo a biblioteca da unifal-mg sempre vazia... novas mesas de estudos... sempre vazias... nos laboratórios vejo os bons computadores da universidade sendo deixados de lado, dando lugar aos tablets ou notebooks particulares.

Apesar de não frequentarem (ou pouco frequentarem) bibliotecas tradicionais, os novos discentes lêem muito... buscam muita informação na web... acessam materiais diversos de todo o mundo... e neste processo... se perdem em conteúdo inútil ou pouco explicativo... quando muitas vezes as respostas estão dentro da própria universidade: na biblioteca.


Em sua fomosa frase, Lobato disse livros, mas é claro que podemos traduzir Livros para um contexto atual: fonte de informação confiável.

Acho que o papel do docente atual é auxiliar o aluno na busca de informação relevante. Não somente no formato tradicional. Tive o prazer assistir uma palestra do Prof. Renato (reitor da UNIFEI) onde ele inseriu um ponto interessante: 
"não estamos em um período de mudanças. estamos em uma mudança de período". Além disso o  Prof. Renato brilhantemente chamou a atenção para um problema relacionado: "como professores, que foram formados em outro modelo, vão se adaptar e ensinar dentro desta nova realidade, que muda constantemente a uma velocidade tão grande que nem podemos visualizar todas as novidades?"O Prof. Renato deixou claro que temos que mudar. Mas como mudar? O que mudar? Como avaliar?

Neste contexto, segue o vídeo do prof. @srlm "Alunos conectados vão mudar o modelo educacional", onde destaco a frase: 
"Se os alunos tem livros e sabem ler, por que eu como professor tenho que ler os livros para os alunos?".


Além da metodologia tradicional de ensino, que não é mais adaptada aos novos alunos que ingressam na universidade, temos um outro problema... talvez mais grave: a universidade brasileira atualmente ensina fora do contexto


Com relação a outro vídeo, publicado no jornal da globo em 2010, destaco duas frases de presidentes de empresas na área de tecnologia quando falam sobre a procura de mão de obra qualificada no Brasil:
  • "Hoje, a nossa empresa forma muito mais gente do que formava a 5 anos atrás. A cada ano que passa, o nosso negócio se torna muito mais um negócio de formação de gente, do que seleção de pessoas."
  • "Há uma defasagem tecnológica entre os profissionais que são formados, e a tecnologia que é aplicada no mercado. Então precisa haver esta sintonia fina, entre universidades (centros formadores de mão de obra), e as empresas"

Este problema não é do mercado. É da universidade...

velha universidade, novos problemas...

sábado, 8 de janeiro de 2011

fuga de capital humano...


Fico feliz em ver nossos alunos formandos sendo empregados por empresas em grandes cidades.

Mas um ponto de devemos refletir:
Por que 100% dos nossos alunos deixam a região depois de formados?
O motivo parece claro. Não temos bons empregos na área de tecnologia por aqui.

Aqui na universidade formamos alunos (bons alunos), e eles vão embora... Processo semelhante ao que aconteceu na área de computação no Recife na década de 90... Como acontece com os médicos cubanos atualmente...
É a chamada "Fuga de Cérebros". Com isso nossa comunidade local não se desenvolve na velocidade dos grandes centros. Cada vez mais é criado um abismo entre interior e capital...

Nós profissionais da Universidade Federal de Alfenas, junto com a comunidade local temos o dever de mudar esta realidade nesta nova década.

O capital humano só ficará em Alfenas e região se aqui tivermos boas oportunidades. Seria bom para a comunidade (que se desenvolveria mais rápido), bom para o governo (que recolheria mais impostos na região), bom para a universidade (que fecharia o ciclo com P&D).

As variáveis envolvidas em um processo como este são complexas:
  • curto prazo: precisamos de mais alunos e professores na área de tecnologia na região (precisamos ampliar a quantidade de vagas de Ciência da Computação e abrir novos cursos - Bacharelado em Engenharia de Software, Sistemas de Informação, Engenharia de Computação);
  • curto prazo: precisamos formar nossos alunos com conhecimentos voltados para o mercado;
  • médio prazo: precisamos de incubadoras de empresas;
  • longo prazo: precisamos de um parque tecnológico.


Parodiando "Arquivo X": A demanda está la fora...
Ela existe, é grande, mas está fora dos portões da universidade... Novas lutas, velhos paradigmas....