Temos atualmente 53.000 doutores no Brasil. Em 2001 eram 26.000.
Com o aumento das pós-graduações no país, na última década melhoramos a eficácia da fábrica de doutores:
Segundo o mesmo artigo, o objetivo era o Brasil ser capaz de formar 16.000 doutores por ano em 2011.
Bom... vamos supor que este número se estabilize em 16.000 doutores/ano... o que não vai acontecer... será maior...:
Considerando tal estabilização, teremos daqui 10 anos , 213.000 doutores no Brasil (4 vezes mais o montante existente em 2011).
Coloco então a pergunta base desta postagem:
Para onde irão nossos doutores?
Muitos (atuais mestrandos e doutorados, futuros doutores) querem empregos estáveis dentro de universidades públicas, para seguir fazendo o que aprendem/aprenderam durante a execução de seus cursos de pós-graduação: querem fazer pesquisa... muitas vezes pesquisa básica...
Mas o Brasil ampliará suas universidades em uma proporção desta magnitude? Será mesmo este o destino ideal de tais cérebros nacionais?
Criamos e mantemos uma fábrica de doutores, que tende a ampliar sua produção devido as pressões existentes dentro das próprias universidades e órgãos de fomento... Para produzir artigos (numericamente falando, infelizmente), as universidades precisam de mão de obra... e qualificada... as pequenas universidades atualmente também estão abrindo seus mestrados e doutorados... os atuais recém doutores não tem como competir nos editais do governo sem produção relevante de artigos (numericamente falando)... nada mais natural que elas se adaptarem ao ambiente com a criação de novos cursos de mestrado e doutorado (como está acontecendo em Alfenas)... Assim irão produzir mais artigos, e quem sabe poderão competir daqui alguns anos nos editais de fomento...
Pois bem, ... nossa fábrica de cérebros aumenta..., sem previsão de vazão adequada.... matematicamente é simples entender... a maioria destes doutores não vão para universidades.... o destino deles é bem claro na minha opinião:
MERCADO
Assim como nos países de primeiro mundo, nossa massa cinzenta qualificada estará no mercado... Atualmente, a maior parte dos doutores norte-americanos estão no mercado de trabalho... como na maioria dos países do primeiro mundo... Eles não estão na academia!
Os impactos desta realidade futura serão gigantescos... E benéficos...
Atualmente o Brasil produz artigos, mas quase não produz inovação. Com esta mudança de destino da produção, a competição existente no mercado obrigará os doutores a gerar novas tecnológicas competitivas (e eles têm/terão tal capacidade)...
Eu acho que, com o tempo, seguindo a lei de oferta/procura, as pós-graduações que formam doutores de áreas básicas do conhecimento não conseguirão inserir todos os seus doutores no mercado (alguns sim, mas não todo o volume que será formado). Alguns entrarão na academia, mas em taxas normais, obviamente... E isso deve gerar uma diminuição na procura por mestrados e doutorados que são voltados exclusivamente para pesquisa básica...
O Brasil deve se tornar um país de pesquisa aplicada, gerando inovação tecnológica em taxas bem mais relevantes que as atuais... Considero ser simplesmente uma questão de tempo...
Humberto, muito bom o texto!!
ResponderExcluirOlá Humberto,
ResponderExcluirGostei da sua visão e das informações do post... concordo até o ponto onde diz que os futuros doutores terão como destino o mercado. Mas você acha mesmo que "Com esta mudança de destino da produção, a competição existente no mercado obrigará os doutores a gerar novas tecnológicas competitivas (e eles têm/terão tal capacidade)..."? Eu acho que os doutores irem para o mercado não é a chave para gerar as novas tecnologias competitivas, e se as empresas não estiverem em busca de inovação? O que os doutores farão nelas? Eles podem acabar sendo sub utilizados... talvez estimular o empreendedorismo nas pós-graduações (o que eu ouço falar que fazem nos EUA) seja uma alternativa...
Grande abraço,
José Alexandre
O problema é que no Brasil se criou uma cultura de que doutor não trabalha no mercado, só serve pra dar aula.
ResponderExcluirTanto da parte dos empregadores, que não estão dispostos/preparados pra pagar alguém com tal qualificação, tanto da parte dos doutores e mestres,que não querem fazer parte do "mercado opressor" que não lhe dá a "estabilidade e segurança" de um concurso público.
Espero que essa mentalidade vá mudando aos poucos pra que a tecnologia continue em evolução e não tenhamos doutores atendentes de tele-marketing.