segunda-feira, 8 de agosto de 2011

como serão as bibliotecas/livrarias do futuro???

Há quem diga que não existe nada melhor que o folhear um bom livro... Digo... um livro de "verdade"...
Item de museu no ano de 2050
Vivenciamos uma brusca mudança nas mais variadas formas de interação com o ambiente... Nas últimas duas décadas foi possível perceber a crescente publicação de conteúdos digitais através da Internet...
Livro no formato digital para o iPad
Muito se escuta sobre o livro de papel existir para todo o sempre. Bom... nunca utilizei uma caneta tinteiro.... Será que esta era a previsão das pessoas no início do século passado? Acredito que com o livro o processo será gradual, mas inevitável. Não teremos exemplares impressos no futuro (apenas na posse de colecionadores e em museus).

Voltando ao tema central do post, insiro as seguintes perguntas:
  1. Como será o modelo de empréstimo de livros digitais em uma universidade?
  2. Ou melhor, existirá empréstimo? Ele faz sentido neste novo modelo de biblioteca?
  3. As bibliotecas (físicas), como conhecemos, terão sentido de existir?
  4. Se você tem um livro virtual, poderá emprestá-lo para um amigo?
São simples perguntas que podemos levantar sobre o tema. O mais estranho está relacionado com a tentativa das editoras e lojas virtuais em construir um modelo semelhante ao universo dos livros em papel. Um exemplo é o empréstimo básico (a pessoa X empresta seu exemplar para a pessoa Y). A gigante Amazon anunciou no primeiro semestre de 2011 algumas possibilidades, ainda restritas do empréstimo de livros. Em 2010 a Saraiva anunciou que implementaria tal possibilidade (como no mundo real - se eu leio, você não lê... simples assim...).

O modelo deve ser totalmente repensado. Tentar criar no modelo virtual um mundo semelhante ao real (considerando suas óbvias restrições impostas pela matéria), é uma alternativa nada inovadora perto do universo de possibilidades... Quem INOVAR vai vencer esta batalha dentro deste mercado super promissor...
Por que não o empréstimo por um tempo limitado? Eu leio, você lê (ao mesmo tempo), mas sua licença expira em n dias.. A questão é: Por que não? Quais são os impactos negativos de tal possibilidade?
Outra deficiência, por ora driblada com pouca categoria pelas livrarias nacionais, é a questão do pagamento. Os novos usuários, sedentos pelo imediatismo gerado por todo o contexto de sua geração, não querem esperar para "colocar as mãos" no novo exemplar virtual. Muitos têm tido uma amarga experiência ao testar as lojas virtuais nacionais. Após baixar o aplicativo para o tablet, os mesmos percebem que, após inserir os dados do cartão de crédito, apenas podem ter acesso no exemplar virtual depois da confirmação de pagamento por parte da operadora do cartão de crédito. Mais uma vez o modelo está errado. A livraria teve a possibilidade de inovar... mas não o fez.

Por que o modelo do APP Store da Apple funciona tão bem? Porque quando se compra um aplicativo, o mesmo é disponibilizado na hora. Muitos desistem da compra de seus livros virtuais no mesmo instante que percebem que terão que esperar. Conclusão óbvia: As livrarias virtuais ainda têm muito que evoluir para terem uma adesão em massa da população virtual...

Agora, vamos olhar para o outro contexto: As bibliotecas universitárias.

Infelizmente ainda não existem avanços concretos para os modelos universitários... As bibliotecas das universidades estarão sujeitas aos modelos futuramente estabelecidos pelas editoras (que serão obrigadas a criar soluções)...

Outro fator a ser resolvido (e será, pela simples lei de mercado de oferta/procura), é o preço dos livros virtuais. Nas lojas brasileiras (Saraiva e Cultura) o preço dos ebooks é absurdo. Possivelmente pelos direitos autorais (pois os custos de transmissão na web são insignificantes, e o armazenamento é por conta do cliente). Por ora é possível perceber grande parte dos internautas driblando o modelo equivocado inserindo seus livros piratas em PDF nos aplicativos de seus smartphones e tablets. O que também não é solução...

"O POVO QUE NÃO CONHECE A SUA HISTÓRIA ESTÁ CONDENADO A REPETI-LA"

O mercado da música sofreu enormes prejuízos com a pirataria. O mesmo só conseguiu se reestruturar de forma interessante quando as músicas começaram a ser vendidas por 1 dolar (ou menos) no iTunes. Steve Jobs salvou o mercado da música com uma estratégia simples: simplicidade na compra e baixo preço. Lá você compra e leva na hora...

SERÁ TÃO COMPLICADO ASSIM REPLICAR O MODELO PARA OS LIVROS VIRTUAIS?

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

destino dos novos mestres e doutores...

Começo esta postagem com um dado interessante/preocupante/promissor:
Temos atualmente 53.000 doutores no Brasil. Em 2001 eram 26.000.

Com o aumento das pós-graduações no país, na última década melhoramos a eficácia da fábrica de doutores:

Segundo o mesmo artigo, o objetivo era o Brasil ser capaz de formar 16.000 doutores por ano em 2011.

Bom... vamos supor que este número se estabilize em 16.000 doutores/ano... o que não vai acontecer... será maior...:

Considerando tal estabilização, teremos daqui 10 anos , 213.000 doutores no Brasil (4 vezes mais o montante existente em 2011).

Coloco então a pergunta base desta postagem:

Para onde irão nossos doutores?

Muitos (atuais mestrandos e doutorados, futuros doutores) querem empregos estáveis dentro de universidades públicas, para seguir fazendo o que aprendem/aprenderam durante a execução de seus cursos de pós-graduação: querem fazer pesquisa... muitas vezes pesquisa básica...

Mas o Brasil ampliará suas universidades em uma proporção desta magnitude? Será mesmo este o destino ideal de tais cérebros nacionais?


Criamos e mantemos uma fábrica de doutores, que tende a ampliar sua produção devido as pressões existentes dentro das próprias universidades e órgãos de fomento... Para produzir artigos (numericamente falando, infelizmente), as universidades precisam de mão de obra... e qualificada... as pequenas universidades atualmente também estão abrindo seus mestrados e doutorados... os atuais recém doutores não tem como competir nos editais do governo sem produção relevante de artigos
(numericamente falando)... nada mais natural que elas se adaptarem ao ambiente com a criação de novos cursos de mestrado e doutorado (como está acontecendo em Alfenas)... Assim irão produzir mais artigos, e quem sabe poderão competir daqui alguns anos nos editais de fomento...

Pois bem, ... nossa fábrica de cérebros aumenta..., sem previsão de vazão adequada.... matematicamente é simples entender... a maioria destes doutores não vão para universidades.... o destino deles é bem claro na minha opinião:
MERCADO

Assim como nos países de primeiro mundo, nossa massa cinzenta qualificada estará no mercado... Atualmente, a maior parte dos doutores norte-americanos estão no mercado de trabalho... como na maioria dos países do primeiro mundo... Eles não estão na academia!

Os impactos desta realidade futura serão gigantescos... E benéficos...

Atualmente o Brasil produz artigos, mas quase não produz inovação. Com esta mudança de destino da produção, a competição existente no mercado obrigará os doutores a gerar novas tecnológicas competitivas (e eles têm/terão tal capacidade)...

Eu acho que, com o tempo, seguindo a lei de oferta/procura, as pós-graduações que formam doutores de áreas básicas do conhecimento não conseguirão inserir todos os seus doutores no mercado (alguns sim, mas não todo o volume que será formado). Alguns entrarão na academia, mas em taxas normais, obviamente... E isso deve gerar uma diminuição na procura por mestrados e doutorados que são voltados exclusivamente para pesquisa básica...

O Brasil deve se tornar um país de pesquisa aplicada, gerando inovação tecnológica em taxas bem mais relevantes que as atuais... Considero ser simplesmente uma questão de tempo...

não há desenvolvimento sem inovação tecnológica...

Estamos no rumo certo? Esta é uma pergunta que poucas vezes escuto dentro do ambiente universitário...

Atualmente presenciamos a mudança de uma era na universidade brasileira...
O MEC investe atualmente 5% do PIB em educação (em um aumento significativo se analisarmos toda a última década). A meta para 2020 é investir 7% do PIB.

Este crescimento impacta diretamente na produção de conhecimento científico:
"o país ocupa a 13ª posição em produção de artigos científicos, atrás de Estados Unidos, China, Alemanha, Japão, Inglaterra, França, Canadá, Itália, Espanha, Índia, Austrália e Coréia do Sul (respectivamente do 1º ao 12º)" [fonte: g1.com.br]
Em um contexto regional, podemos ver que a produção de conhecimento humano cresceu de forma acelerada nos últimos 10 anos... e além disso... ainda não parou de crescer...
Artigos científicos publicados em periódicos pela comunidade da UNIFAL-MG
Além da publicação científica, temos um acréscimo significativo na captação de recursos destinados para a pesquisa dentro da universidade. Podemos esperar para 2011 a captação de R$ 4.000.000,00 somente para os laboratórios de pesquisa da UNIFAL-MG.

Captação de recursos relacionados à pesquisa na UNIFAL-MG
Infelizmente, a captação de recursos e a publicação de artigos científicos em periódicos não influenciam diretamente a geração de riquezas para a nossa região. Podemos medir este dado indiretamente através das patentes, marcas e registros de software aqui gerados. No caso da UNIFAL-MG, assim como a grande maioria das universidades e empresas do nosso país, estes indicadores não acompanham o crescimento acelerado dos gráficos anteriores:

Patentes, Marcas e Software depositados pela UNIFAL-MG
Tais informações demonstram claramente a dificuldade da universidade nacional em se aproximar do mercado. De um lado temos o mercado, com toda a demanda da inovação tecnológica, necessitando gerar riquezas. Do outro, temos a universidade, completamente capaz de gerar soluções de ponta nas mais diversas áreas do conhecimento... Mas, o que vemos é um isolamento quase total destes dois mundos...

O Prof. Rochel, do Departamento de Química da UFMG, ilustra de forma interessante este relacionamento entre universidade e mercado, e o nomeia de O VALE DA MORTE:

O Vale da Morte
Universidade perde, mercado perde!

Sem ter acesso aos problemas reais, a universidade não consegue depositar patentes (e não apenas por isso). É muito comum pesquisadores trabalharem com bases de dados criadas em laboratórios... e sem a exigência do mercado para a geração de um produto final..

Tentando mudar esta realidade, a comunidade de Alfenas iniciou nos últimos meses uma discussão entre universidades e empresas para a criação do Polo Tecnológico da cidade.
Notícias relacionadas:
Vejo que a criação do Polo Tecnológico pode ajudar no desenvolvimento local. Espero que o problema levantado no primeiro post deste blog seja definitivamente resolvido com a instalação do Polo.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

aprendizado baseado em problemas...

Começo este post com uma pergunta:

O mecanismo tradicional de ensino (com um mestre falando em frente a turma) perpetuará na universidade?

Deixando a pergunta de lado, por ora, compartilho a experiência que tive em 2010 na unifal-mgAo longo do último semestre letivo, após forte influência do Prof. Rodrigo Pagliares (@pagliares), gravei o conteúdo teórico das aulas da disciplina de algoritmos em grafos: vídeo-aulas disponíveis neste site.

Apesar de não terem, até então, experimentado vídeo-aulas na graduação, houve uma boa aceitação por parte dos alunos no modelo testado. 
Após o término do semestre, a disciplina foi avaliada através de um questionário eletrônico. Com a participação de 21 alunos (84% da turma), sobre os resultados destaco:
  • 86% acham interessante a idéia de utilizarmos as aulas gravadas em futuras edições da cadeira:

  • a maioria prefere vídeo-aulas a aula presenciais teóricas:


Relacionado com o meu post anterior, isso é mais um indício da mudança no perfil dos novos alunos na universidade. Não querem ou pretendem aprender como antes. A maioria quer autonomia para gerenciar seu próprio tempo. Preferem assistir as aulas quando quiserem, quantas vezes quiserem, ao invés de terem um horário marcado sem a possibilidade de efetuarem replays.

Sobre outro questionamento, a maior parte dos alunos da disciplina se diz satisfeita, ou muito satisfeita, com o conhecimento adquirido através das vídeo-aulas.


Infelizmente, neste modelo de 2010, pude experimentar apenas a troca das aulas presenciais pelas aulas à distância. Pretendo na próxima vez que a disciplina for ofertada, testar a metodologia PBL: Problem-based learning (em bom português: aprendizado baseado em problemas).

Pretendo aplicar as vídeo-aulas com toda a carga teórica em 30 dias. Claro que não amadurecerão em 30 dias da mesma forma que outras turmas amadureceram em um semestre. Mas depois sobrarão três meses de aula. Estas serão presenciais e utilizadas exclusivamente para resolução de problemas reais que mascaram modelagens e necessitam de algoritmos em grafos. Poderemos discutir sobre adaptações dos algoritmos clássicos, complexidade de algoritmos, representações computacionais mais adequadas, etc etc etc... As possibilidades são infinitas...

Como ressaltada a wikipedia sobre as vantagens da PBL, pretendo:
  • Provocar a motivação;
  • Promover o conhecimento de novas áreas do saber;
  • Estimular a criatividade;
  • Impulsionar o pensamento crítico;
  • Fomentar as capacidades de análise e decisão;
  • Desenvolver as capacidades e competências de trabalhar em grupo e de gestão de stress.
Voltando para a pergunta inicial deste post... mas terminando com outra pergunta:

Será que os alunos alcançarão um conhecimento mais adequado para ser utilizado no mercado de trabalho através da metodologia PBL, tendo como base teórica as vídeo-aulas?

domingo, 9 de janeiro de 2011

velha universidade, novos problemas...

Monteiro Lobato disse sabiamente: "Um país se faz com homens e livros".

Lobato não previu que passaríamos por mudanças. Passamos por uma época de novas tecnologias e em avalanches de informações diárias. Neste contexto presenciamos uma clara alteração no perfil dos nossos alunos. Eles atualmente buscam informações de formas diferentes se compararmos com alunos de 10 anos atrás. vejo a biblioteca da unifal-mg sempre vazia... novas mesas de estudos... sempre vazias... nos laboratórios vejo os bons computadores da universidade sendo deixados de lado, dando lugar aos tablets ou notebooks particulares.

Apesar de não frequentarem (ou pouco frequentarem) bibliotecas tradicionais, os novos discentes lêem muito... buscam muita informação na web... acessam materiais diversos de todo o mundo... e neste processo... se perdem em conteúdo inútil ou pouco explicativo... quando muitas vezes as respostas estão dentro da própria universidade: na biblioteca.


Em sua fomosa frase, Lobato disse livros, mas é claro que podemos traduzir Livros para um contexto atual: fonte de informação confiável.

Acho que o papel do docente atual é auxiliar o aluno na busca de informação relevante. Não somente no formato tradicional. Tive o prazer assistir uma palestra do Prof. Renato (reitor da UNIFEI) onde ele inseriu um ponto interessante: 
"não estamos em um período de mudanças. estamos em uma mudança de período". Além disso o  Prof. Renato brilhantemente chamou a atenção para um problema relacionado: "como professores, que foram formados em outro modelo, vão se adaptar e ensinar dentro desta nova realidade, que muda constantemente a uma velocidade tão grande que nem podemos visualizar todas as novidades?"O Prof. Renato deixou claro que temos que mudar. Mas como mudar? O que mudar? Como avaliar?

Neste contexto, segue o vídeo do prof. @srlm "Alunos conectados vão mudar o modelo educacional", onde destaco a frase: 
"Se os alunos tem livros e sabem ler, por que eu como professor tenho que ler os livros para os alunos?".


Além da metodologia tradicional de ensino, que não é mais adaptada aos novos alunos que ingressam na universidade, temos um outro problema... talvez mais grave: a universidade brasileira atualmente ensina fora do contexto


Com relação a outro vídeo, publicado no jornal da globo em 2010, destaco duas frases de presidentes de empresas na área de tecnologia quando falam sobre a procura de mão de obra qualificada no Brasil:
  • "Hoje, a nossa empresa forma muito mais gente do que formava a 5 anos atrás. A cada ano que passa, o nosso negócio se torna muito mais um negócio de formação de gente, do que seleção de pessoas."
  • "Há uma defasagem tecnológica entre os profissionais que são formados, e a tecnologia que é aplicada no mercado. Então precisa haver esta sintonia fina, entre universidades (centros formadores de mão de obra), e as empresas"

Este problema não é do mercado. É da universidade...

velha universidade, novos problemas...

sábado, 8 de janeiro de 2011

fuga de capital humano...


Fico feliz em ver nossos alunos formandos sendo empregados por empresas em grandes cidades.

Mas um ponto de devemos refletir:
Por que 100% dos nossos alunos deixam a região depois de formados?
O motivo parece claro. Não temos bons empregos na área de tecnologia por aqui.

Aqui na universidade formamos alunos (bons alunos), e eles vão embora... Processo semelhante ao que aconteceu na área de computação no Recife na década de 90... Como acontece com os médicos cubanos atualmente...
É a chamada "Fuga de Cérebros". Com isso nossa comunidade local não se desenvolve na velocidade dos grandes centros. Cada vez mais é criado um abismo entre interior e capital...

Nós profissionais da Universidade Federal de Alfenas, junto com a comunidade local temos o dever de mudar esta realidade nesta nova década.

O capital humano só ficará em Alfenas e região se aqui tivermos boas oportunidades. Seria bom para a comunidade (que se desenvolveria mais rápido), bom para o governo (que recolheria mais impostos na região), bom para a universidade (que fecharia o ciclo com P&D).

As variáveis envolvidas em um processo como este são complexas:
  • curto prazo: precisamos de mais alunos e professores na área de tecnologia na região (precisamos ampliar a quantidade de vagas de Ciência da Computação e abrir novos cursos - Bacharelado em Engenharia de Software, Sistemas de Informação, Engenharia de Computação);
  • curto prazo: precisamos formar nossos alunos com conhecimentos voltados para o mercado;
  • médio prazo: precisamos de incubadoras de empresas;
  • longo prazo: precisamos de um parque tecnológico.


Parodiando "Arquivo X": A demanda está la fora...
Ela existe, é grande, mas está fora dos portões da universidade... Novas lutas, velhos paradigmas....