sexta-feira, 5 de agosto de 2011

não há desenvolvimento sem inovação tecnológica...

Estamos no rumo certo? Esta é uma pergunta que poucas vezes escuto dentro do ambiente universitário...

Atualmente presenciamos a mudança de uma era na universidade brasileira...
O MEC investe atualmente 5% do PIB em educação (em um aumento significativo se analisarmos toda a última década). A meta para 2020 é investir 7% do PIB.

Este crescimento impacta diretamente na produção de conhecimento científico:
"o país ocupa a 13ª posição em produção de artigos científicos, atrás de Estados Unidos, China, Alemanha, Japão, Inglaterra, França, Canadá, Itália, Espanha, Índia, Austrália e Coréia do Sul (respectivamente do 1º ao 12º)" [fonte: g1.com.br]
Em um contexto regional, podemos ver que a produção de conhecimento humano cresceu de forma acelerada nos últimos 10 anos... e além disso... ainda não parou de crescer...
Artigos científicos publicados em periódicos pela comunidade da UNIFAL-MG
Além da publicação científica, temos um acréscimo significativo na captação de recursos destinados para a pesquisa dentro da universidade. Podemos esperar para 2011 a captação de R$ 4.000.000,00 somente para os laboratórios de pesquisa da UNIFAL-MG.

Captação de recursos relacionados à pesquisa na UNIFAL-MG
Infelizmente, a captação de recursos e a publicação de artigos científicos em periódicos não influenciam diretamente a geração de riquezas para a nossa região. Podemos medir este dado indiretamente através das patentes, marcas e registros de software aqui gerados. No caso da UNIFAL-MG, assim como a grande maioria das universidades e empresas do nosso país, estes indicadores não acompanham o crescimento acelerado dos gráficos anteriores:

Patentes, Marcas e Software depositados pela UNIFAL-MG
Tais informações demonstram claramente a dificuldade da universidade nacional em se aproximar do mercado. De um lado temos o mercado, com toda a demanda da inovação tecnológica, necessitando gerar riquezas. Do outro, temos a universidade, completamente capaz de gerar soluções de ponta nas mais diversas áreas do conhecimento... Mas, o que vemos é um isolamento quase total destes dois mundos...

O Prof. Rochel, do Departamento de Química da UFMG, ilustra de forma interessante este relacionamento entre universidade e mercado, e o nomeia de O VALE DA MORTE:

O Vale da Morte
Universidade perde, mercado perde!

Sem ter acesso aos problemas reais, a universidade não consegue depositar patentes (e não apenas por isso). É muito comum pesquisadores trabalharem com bases de dados criadas em laboratórios... e sem a exigência do mercado para a geração de um produto final..

Tentando mudar esta realidade, a comunidade de Alfenas iniciou nos últimos meses uma discussão entre universidades e empresas para a criação do Polo Tecnológico da cidade.
Notícias relacionadas:
Vejo que a criação do Polo Tecnológico pode ajudar no desenvolvimento local. Espero que o problema levantado no primeiro post deste blog seja definitivamente resolvido com a instalação do Polo.

2 comentários:

  1. Um grande problema na conexão entre academia e indústria tem nome: escrita de monografias, dissertações e teses.

    Em outras palavras, é o processo de formação de capital humano que encavala a relação universidade-empresa. Faça as contas de quanto tempo se perde ao escrever o calhamaço requerido para uma defesa de mestrado ou doutorado.

    Além disto, o ritmo da academia não bate com o ritmo da indústria. As empresas não têm tempo para as formalidades da academia, muito menos seus problemas não começam em Março e terminam em Fevereiro do outro ano, porque este é o calendário da CAPES.

    ResponderExcluir
  2. A relação entre ciência "básica" e tecnologia tem que ser vista com cautela e de forma ampla. O que foi dito neste blog está correto, mas cabe algumas inserções.
    Para uma produção tecnológica competende precisamos ter conhecimento competente. E esse conhecimento não vem da tecnologia. A prática nos mostra os problemas emergentes, mas para as soluções precisamos de conhecimento exato.
    A ciência é uma ferramenta humana que nos permite obter tal conhecimento. Mas ela deve ser feita de forma competente. E aí está o problema. A ciência nacional, considerando no plano norte, sul, leste e oeste do país, ainda possui muitos erros, gerando conhecimentos equivocados que levam a medidas que não resolvem. Eu trabalho também na área aplicada e vejo que muitas medidas propostas pela Academia não funcionam porque a ciência desenvolvida está errada (por ex., aceitando hipóteses testadas com viéses). A história da humanidade mostra claramente que sem conhecimento sólido não conseguimos construir tencologias apropriadas.
    Vamos analisar a ciência considerando que é uma proposta humana que visa minimizar o sofrimento humano. Desse prisma, que me parece bastante razoável, temo que considerar que a tecnologia muito contribuiu, mas não tornou a vida do ser humano mais feliz (as injustiças continuam, os medos e ansidades não foram acalmados etc.).
    A distância entre a Academia universitária e a realidade social é um fato (o chamado vale da morte no texto deste blog). Mas posso acrescentar a isso que nem toda ciência deva ser conduzida para a tecnologia. A tecnologia é apenas uma faceta da sociedade humana. Cunhei, em 2000, a seguinte frase num de meus livros: "Ou o século XXI é dedicado aos valores humanos, morais e éticos... ou de nada valeram os avanços tecnológicos conquistados até aqui.". Essa frase resume exatamente o que eu acredito, cerca de 11 anos após.
    A busca por tecnologias tem favorecido muitos, mas certamente muito mais grupos privilegiados, pois não há uma consciência humana em repartir e ser solidário com o outro. E isso não vamos conseguir com tecnologia, mas com ênfase nas reflexão humana sobre sua essência e caminhos.
    Em resumo, o que quero mostrar é que certamente a tecnologia terá seu caminho e, cada vez mais, a ciência estará voltada para isso (veja os incentivos governamentais e os esforços da Fapesp nesse sentido). O outro lado é que está completamente abandonado. O que da ciência está sendo usado para discutirmos os rumos da mentalidade humana? O quando a ética está abandonada? Enfim, que humanidade estamos formando? O equilíbrio entre o prático e o teórico é necessário para qualquer sociedade.

    ResponderExcluir